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Brazil Brief | Estruturar antes de entrar: o diferencial na transição tributária

A reforma altera o ponto de partida da estruturação de negócios no Brasil. Em vez de operar sobre um sistema estável — ainda que complexo —, as empresas passam a tomar decisões em um ambiente em transição, no qual os efeitos do novo modelo ainda estão sendo calibrados na prática. “Não é mais apenas uma questão de pagar menos tributo, mas de entender como o modelo de negócio pode funcionar melhor”, afirma Rafael Amorim, sócio da área Tributária do Vieira Rezende. Nesse contexto, decisões sobre estrutura operacional, localização e relacionamento com fornecedores deixam de ser ajustadas ao final do processo e passam a ser definidas desde o início à luz da nova lógica tributária.

Para investidores estrangeiros, essa mudança desloca o foco da análise. A entrada no Brasil deixa de ser baseada exclusivamente no custo tributário atual e passa a exigir uma leitura mais ampla, que considere a trajetória da transição. Estruturas eficientes hoje podem perder competitividade ao longo do tempo, enquanto alternativas ainda não adotadas podem se mostrar mais adequadas no novo regime. “O investidor que entra sem planejamento e sem entender os impactos da reforma vai entrar perdido”, afirma. A assessoria jurídica assume papel mais estratégico, atuando não apenas na interpretação normativa, mas na antecipação de cenários e na estruturação de operações.

O momento atual cria uma condição específica para investidores que avaliam sua entrada no país. A possibilidade de testar modelos operacionais, simular impactos e ajustar estruturas antes da plena implementação do novo sistema reduz o custo de decisões que, no futuro, serão mais difíceis de revisar. A complexidade da transição não desaparece, mas pode ser incorporada de forma progressiva, à medida que as operações evoluem. Nesse contexto, antecipar esse processo tende a transformar o período inicial da reforma menos em uma barreira e mais em uma etapa de posicionamento.

Essa antecipação se traduz, na prática, em algumas frentes prioritárias já em 2026. A revisão do fluxo de caixa ganha centralidade diante da nova dinâmica de créditos e débitos e de seus efeitos sobre o capital de giro. A revisão de contratos torna-se necessária para refletir a redistribuição da carga tributária ao longo da cadeia, com impactos sobre preços e margens. Ao mesmo tempo, a adaptação de sistemas passa a ser condição para operar com segurança na convivência entre os dois regimes. Mais do que ajustes pontuais, essas frentes tendem a orientar decisões estruturais à medida que a reforma avança.

O que as empresas estão testando na prática em 2026 

O primeiro ano da transição tem sido utilizado pelas empresas como um período de simulação e ajuste de seus modelos operacionais, com foco na antecipação dos efeitos do novo sistema tributário. Entre os principais pontos em análise, destacam-se: 

  • Logística: reavaliação da localização de centros de distribuição e fluxos operacionais, com menor peso de incentivos fiscais na tomada de decisão  
  • Fluxo de caixa: simulação da dinâmica de créditos e débitos no novo modelo e seus impactos sobre capital de giro  
  • Contratos: revisão de cláusulas comerciais para refletir a nova incidência tributária ao longo da cadeia  
  • Estrutura operacional: definição entre presença local, terceirização ou modelos híbridos de atuação  
  • Modelos de entrada no Brasil: comparação entre operação direta e estruturas sem presença física no país  
  • Infraestrutura fiscal: adaptação de sistemas de gestão para viabilizar a convivência entre os dois regimes

objetivo comum é antecipar decisões estruturais antes da plena implementação do novo regime.

 

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