Brazil Brief | Brasil em ano eleitoral: estabilidade estrutural e novas coordenadas regionais

O Brasil entra em 2026 em ano eleitoral, momento em que a atenção de investidores se volta para potenciais reprecificações de risco e para a capacidade do país de preservar estabilidade econômica durante transições políticas. A observação dos últimos ciclos, especialmente o desempenho de 2025, oferece uma referência útil para interpretar o comportamento dos mercados ao longo dos próximos meses.

O ciclo eleitoral brasileiro tende a ajustar a percepção de risco no curto prazo, mas os resultados econômicos do último ano demonstraram que a atividade segue sustentada por bases estruturais que resistem às oscilações políticas. A ampliação dos investimentos em infraestrutura, acompanhada pela continuidade de programas sociais e pela expansão da capacidade exportadora, reforçou a habilidade do país de preservar estabilidade operacional mesmo em períodos de maior volatilidade institucional. Além disso, a maior previsibilidade regulatória, a disciplina fiscal observada no segundo semestre e o avanço de concessões e PPPs ajudaram a reduzir incertezas e a oferecer um ambiente mais claro para avaliação de riscos financeiros e jurídicos, fortalecendo a confiança dos investidores estrangeiros.

No campo internacional, o Brasil também demonstrou habilidade diplomática ao manter postura de neutralidade construtiva diante das tensões comerciais que marcaram o último ano, especialmente a escalada tarifária entre grandes economias. Ao evitar alinhamentos automáticos e preservar canais de diálogo com diferentes blocos, o país conseguiu ampliar margens de negociação, proteger cadeias de exportação e reforçar sua imagem como parceiro comercial previsível.

Independentemente do resultado eleitoral, o próximo governo deverá herdar uma agenda de política pública relativamente definida. Entre os temas centrais estão o aprimoramento do quadro fiscal, a manutenção da segurança jurídica em contratos de longo prazo e a consolidação de marcos regulatórios já aprovados. Para o investidor institucional, a percepção é de continuidade de uma agenda pró-competitividade, com carteira de projetos robusta e capacidade operacional de execução.

No plano regional, a América Latina vive um deslocamento político marcado pela ascensão de plataformas de direita em mercados relevantes, reconfigurando expectativas sobre integração econômica e fluxos comerciais. Esse movimento altera a dinâmica de negociações multilaterais, revisa prioridades de política industrial e redefine a posição relativa de cada país nos circuitos internacionais de financiamento.

Nesse contexto, o Brasil mantém papel de âncora econômica e institucional da região. O tamanho de seu mercado, a estabilidade democrática e a manutenção dos fundamentos macroeconômicos o diferenciam em relação aos vizinhos, especialmente em momentos de transição política continental. Essa combinação reforça o posicionamento do país como destino estratégico em portfólios de longo prazo.