Brazil Brief | Entre tarifas e acordos: o reposicionamento estratégico do Brasil

O comércio internacional entra em 2026 marcado por duas dinâmicas simultâneas: a intensificação de medidas tarifárias e de políticas industriais por parte de grandes economias e, em paralelo, a aceleração de acordos regionais que buscam garantir previsibilidade e acesso a mercados. Cadeias produtivas estão sendo redesenhadas não apenas por eficiência de custos, mas também por critérios de segurança econômica, diversificação geográfica e estabilidade institucional. O ambiente global torna-se mais complexo — e mais seletivo.

Nesse contexto, o Brasil emerge como ator diplomático e comercial relevante. O país mantém relações econômicas consistentes com os Estados Unidos, aprofunda sua parceria com a China — seu principal parceiro comercial, com intercâmbio de US$ 171 bilhões e crescimento de 11,5% nas importações de bens de capital no último ano — e avança em acordos estruturantes com a União Europeia (UE) e com a Associação Europeia de Livre Comércio (EFTA), bloco formado por Suíça, Noruega, Islândia e Liechtenstein. Paralelamente, negociações com o Canadá e o Japão indicam ampliação da interlocução comercial e da facilitação de investimentos, movimento que reforça sua posição como principal economia da América Latina e como plataforma regional para cadeias produtivas globais. Em um cenário de fragmentação geoeconômica, a capacidade brasileira de dialogar com diferentes polos consolida seu papel como ponto de convergência entre mercados.

Essa posição externa é acompanhada por movimento interno de estruturação. A agenda de modernização regulatória — que inclui reforma tributária, atualização do comércio exterior, consolidação de marco regulatório portuário e estímulo à cabotagem — busca alinhar o país a padrões internacionais de governança e eficiência. Ao mesmo tempo, novos ciclos de concessões e de investimentos em infraestrutura logística procuram reduzir gargalos históricos e ampliar a capacidade de integração às cadeias globais de valor.

A combinação entre diplomacia econômica ativa e ajustes institucionais domésticos coloca o Brasil em condição singular no novo mapa comercial. A inserção estratégica, contudo, depende de uma execução coordenada entre política comercial, infraestrutura e segurança jurídica. Nesta edição do Brazil Brief, especialistas do Vieira Rezende analisam como os acordos com a Europa e a EFTA ampliam o acesso a mercados, de que forma a modernização portuária sustenta essa expansão e quais instrumentos tributários e regulatórios permitem transformar oportunidades comerciais em operações estruturadas de longo prazo.