Brazil Brief | O ano teste da reforma tributária: uma janela estratégica para investir no Brasil

O ano de 2026 marca o início da implementação prática do novo sistema tributário sobre o consumo no Brasil, com a introdução da CBS (federal) e do IBS (subnacional) — novos tributos que substituirão os atuais sobre o consumo — em alíquotas ainda reduzidas. Mais do que um desafio operacional, esse período inaugura uma oportunidade estratégica: investidores estrangeiros podem testar modelos de negócio em um ambiente de menor impacto financeiro, antecipando decisões que serão determinantes quando o novo sistema estiver plenamente vigente. Ao mesmo tempo, a convivência entre o regime atual e o novo sistema inaugura um período de maior complexidade no curto prazo – um movimento inerente à própria transição. Simplificar no longo prazo exige, no início, a sobreposição de regras, sistemas e interpretações.

Na prática, esse desenho cria uma situação específica. A carga tributária relevante continua sendo a do sistema atual, enquanto o novo modelo passa a ser testado em paralelo. Isso permite que empresas simulem estruturas futuras, como logística, cadeia de suprimentos e organização societária, sem que essas decisões estejam integralmente expostas ao custo financeiro que terão nos próximos anos.

Esse deslocamento altera a forma como decisões estratégicas são tomadas. A análise deixa de se basear apenas no cenário vigente e passa a incorporar projeções de fluxo de caixa, comportamento de créditos e reorganização operacional sob o novo regime. As empresas passam a simular o futuro com a reforma em plena implementação, comparando quanto pagam hoje com o que devem pagar no novo modelo. É um exercício que antecipa efeitos que, em condições normais, só seriam percebidos após a consolidação do sistema.

Para investidores estrangeiros, esse contexto redefine o timing de entrada no país. A decisão não envolve apenas avaliar o ambiente atual, mas considerar o valor de antecipar aprendizado em um sistema em formação. Operar simultaneamente sob dois regimes implica ajustes contínuos e maior esforço de adaptação. Ainda assim, o próprio desenho do período inicial cria uma condição específica: a possibilidade de calibrar decisões com menor impacto financeiro imediato. “Antecipar os efeitos dessa transição agora cria um custo de oportunidade. Quem sai na frente consegue testar essas estruturas com mais segurança. Esse é o momento em que é possível errar mais barato”, afirma Rafael Amorim, sócio da área Tributária do Vieira Rezende.

Nesta edição do Brazil Brief, Amorim aprofunda como esse processo se traduz na operação das empresas e na estruturação de investimentos.

CBS e IBS: o que são os novos tributos sobre o consumo

A reforma tributária brasileira cria dois novos tributos que substituirão gradualmente os principais tributos sobre o consumo atualmente em vigor:

  • CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços): tributo federal que substituirá o PIS, a COFINS e parte do IPI
  • IBS (Imposto sobre Bens e Serviços): tributo subnacional que substituirá o ICMS (estadual) e o ISS (municipal)

O objetivo do novo modelo é simplificar a tributação sobre o consumo, reduzir distorções e aproximar o Brasil de sistemas adotados internacionalmente.

 

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