Brazil Brief | Testes operacionais e reconfiguração de decisões estratégicas

A utilização de 2026 como um ano de simulação tem levado empresas a revisar decisões operacionais que, até aqui, eram fortemente condicionadas pelo sistema tributário vigente. A logística aparece como o ponto mais visível dessa reavaliação. Estruturas desenhadas para capturar benefícios fiscais passam a ser questionadas em um ambiente que tende a reduzir esse tipo de distorção. “Empresas que se estabeleceram em determinados estados por incentivo fiscal estão estudando a possibilidade de se reorganizar. A ideia é que a decisão passe a ser mais econômica do que tributária”, afirma Rafael Amorim, sócio da área Tributária do Vieira Rezende. O movimento não implica apenas relocalização, mas revisão da própria lógica de eficiência da operação.

A análise, no entanto, não se limita à dimensão logística. A reforma introduz uma variável que passa a influenciar diretamente a estrutura financeira das empresas: o comportamento do fluxo de caixa ao longo da cadeia. A possibilidade de apropriação de créditos em momentos distintos, combinada com a incidência do tributo na saída, desloca o foco para o intervalo entre esses eventos. “Existe uma questão importante de timing entre o crédito e o pagamento do imposto, e isso impacta diretamente o caixa das empresas”, explica. Estruturas que parecem eficientes sob a ótica de margem podem se mostrar mais exigentes em termos de capital de giro, exigindo uma leitura integrada entre operação e finanças.

Um terceiro ponto a ser impactado é a revisão das relações comerciais estabelecidas sob a lógica atual. Esses instrumentos passam a ser revisitados para refletir os efeitos da reforma, muitas vezes ainda não plenamente mensurados. “As empresas estão analisando contratos com fornecedores e clientes para ajustar cláusulas e antecipar os efeitos da reforma”, afirma. A revisão envolve redistribuição de custos, redefinição de preços e, em alguns casos, reequilíbrio econômico das relações, com impactos que se propagam ao longo da cadeia.

Para investidores estrangeiros, essas variáveis passam a integrar a avaliação de ativos e decisões de entrada no país. Em operações de M&A, por exemplo, a análise baseada apenas em histórico perde relevância em um ambiente de mudança estrutural. “A avaliação de uma empresa hoje precisa considerar como a reforma vai impactar o fluxo de caixa futuro. Isso muda a lógica da análise”, ressalta Amorim. A capacidade de adaptação ao novo sistema passa a ser parte do próprio valor do negócio.

 

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